TRISTEZA SEM FIM.
Não é
raro ouvir das pessoas a frase “estou deprimido”. Qualquer pequena
frustração ou tristeza passou a ser tomada como sinônimo desse mal de
difícil erradicação (principalmente por sua complicada identificação).
Todos
nós temos nossos dias nublados; por mais que faça sol ou seja feriadão
prolongado, às vezes nuvens negras embaçam os olhos de nossa mente e
coração. Aquele sentimento esquisito cuja resposta invariável é “não
sei” tem um nome: Depressão. Mal moderno, desconhecido nos tempos de
juventude de nossos bisavós, parece ter sido incorporado pela humanidade
deste século como um arquétipo absolutamente normal.
A tristeza -
própria da natureza humana - é igualmente inútil, mas com uma causa
definida. Se alguém lhe dirige ofensas: se sua violeta predileta morre
em plena floração: se seu bichano some; se você “leva o bolo” de uma
pessoa querida, etc, é natural sentir-se triste. Mas aquela tristeza
indefinida, de causa desconhecida, que parece se instalar para todo o
sempre, que tira umas semanas de férias, mas depois volta com carga
redobrada, sem aviso prévio, isso é depressão.
Em lugares de
clima frio e de pouco sol, como nos países do hemisfério norte, as
crises são mais constantes. Nessas regiões, outono e inverno,
caracterizados pela ausência quase total de sol, causam distúrbios no
humor das pessoas, já que o frio e a falta de luz intensa do sol parecem
facilitar estados depressivos.
A questão mais incômoda no que
se refere à depressão é a maneira de combatê-la, já que, geralmente,
desconhecemos suas causas. Os sintomas, porém são facilmente
detectáveis. Fisicamente um cansaço prolongado (injustificado ou, muitas
vezes, resultante de insônia) é bastante comum nas pessoas deprimidas. A
preguiça (do tipo “odeio segundas-feiras”) é característica. Também
palpitações ou pressão no peito, tonturas, sudorese acentuada,
dificuldades respiratórias, resfriados constantes, acidez estomacal e
perturbações digestivas (o que está sendo difícil digerir na sua vida?).
Perda de apetite (inclusive sexual) denota estados depressivos, além da
letargia/ apatia constantes.
Entre os sintomas psicológicos mais
comuns destacam-se momentos de profunda tristeza, choro compulsivo sem
causa aparente, hostilidade/irritação (principalmente com aqueles que
estão de “bem com a vida”), ansiedade desesperança, perda de afeição
(dificuldade em dar e receber amor), vontade de morrer (que inclui
tentativas de suicídio).
As causas, como já dissemos, são
desconhecidas da pessoa que experimenta a depressão, mas se refletem em
sua vida prática de várias maneiras. Essas pistas possibilitam
identificar o mal com mais clareza, para que possamos diagnosticá-lo e
enfrentá-lo. A falta de objetivos futuros ou colocação de metas
inadequadas ao seu progresso pessoal, baixa auto-estima (a aparência
descuidada é um ótimo sensor de estados depressivos, principalmente nas
pessoas vaidosas), falta de realização na carreira, entre outros. Também
nos pegamos fazendo comparações absurdas do nosso potencial em relação
ao de outras pessoas (valorizamos apenas as qualidades dos outros e
exageramos nossos defeitos, sem observar as fraquezas de terceiros).
É
considerada normal a depressão pós-parto, comum à maioria das mulheres.
Estando em contato íntimo e profundo com o bebê que cresce dentro dela,
a mãe sente-se deprimida e “vazia” ao dar à luz. Na esfera
profissional, muitas pessoas experimentam o mesmo vazio quando concluem
um projeto. Observou-se que os grandes empreendedores mantêm a mente
sempre aberta a novas e ousadas criações, projetando-se nos planos que
estão por vir. Assim, com metas sempre delineadas à frente, jamais
experimentam o esvaziamento típico da depressão pós-parto.
A
sensação de frustração e conseqüente estado depressivo, paradoxalmente,
acompanha os que, ao contrário, padecem de hiperatividade intelectual.
Se os planos ficam só na esfera mental e nunca se realizam no mundo
material, tornam-se assustadores fantasmas a entristecer o seu criador.
Quando
alguém nos desaponta, também é comum cairmos em depressão. Esta é uma
das armadilhas mais perigosas deste mal; aqui é útil lembrar que
“ninguém é capaz de fazer você sentir-se desta ou daquela maneira”.
Sentir-se, verbo reflexivo, só acontece dentro de você, com a sua
permissão; há uma gama enorme de opções de sentimentos à sua escolha.
Auxiliado pela razão e pela intuição, você, e ninguém mais, é capaz de
decidir qual o estado adequado para o momento.
Os métodos mais
conhecidos para tratar a depressão são a administração de medicamentos, a
eletroterapia, a psicoterapia e as terapias naturais. O primeiro e mais
antigo teve origem através dos curandeiros primitivos. Registros
apontam que Hipócrates, há mais de 2 mil anos, prescrevia heléboro, erva
medicinal de propriedades analgésicas, aos doentes de males emocionais;
os chineses recorriam à efedrina; povos primitivos usavam o ópio, a
mescalina e a semente de papoula para trazer euforia às pessoas em
estados depressivos.
A partir de meados dos anos 50 e na década
de 60, principalmente, as drogas antidepressivas ganharam impulso nos
Estados Unidos. De lá para cá, desenvolveram-se vários tipos de drogas. A
eletroterapia ou eletroconvulsoterapia, popularmente conhecida como
eletrochoque, teve seu auge nos anos 40/50. Os principais efeitos
colaterais registrados nos depressivos submetidos a esse tratamento
foram dores de cabeça, confusão mental e perturbações de memória.
Embora
apresentem resultados rapidamente, cerca de um mês após iniciado o
tratamento, tanto a eletroterapia como a terapia por medicamentos têm se
revelado eficientes apenas no combate aos sintomas da depressão, e não
do mal em si.
A psicoterapia e as terapias naturais, mesmo mais
caras e demoradas, na opinião dos especialistas é capaz de causar
mudanças mais efetivas de comportamento e conseqüente eliminação dos
estados depressivos. Alguns psiquiatras recomendam a combinação destas
com uma das terapias anteriormente descritas, objetivando minimizar os
males que a depressão causa enquanto não é totalmente eliminada.
Quando
perceber que está entrando em depressão, mantenha a cabeça erguida e os
olhos voltados para cima. Eu desafio qualquer pessoa a permanecer
deprimida dirigindo o olhar e o pensamento para o alto. Não há depressão
que resista a uma boa dose de alegria. Agite. Ainda que seja preciso um
grande esforço, saia da “segurança” de sua caminha quente e exponha-se.
Começe a caminhar ou a correr, faça um passeio, olhe nos olhos das
outras pessoas, ande de bicicleta (se souber!!!). Escolha uma música de
ritmo agitado e se ponha a dançar. Cultive a coragem e a vontade de
viver. Busque ajuda terapêutica, converse com alguém, mantendo ativado o
seu diálogo interno “O que quero evitar? Do que estou fugindo?”.
Lembre-se de que o que está tentando evitar não desaparecerá até que o
enfrente... Aventure-se!!!